Amor Barato

Amor Barato

•Renato• latino, SP

cintiamcr:

“Ai, Viramundo de minha vida, que vira Minas pelo avesso, sem revelar aos meus olhos o seu mais impenetrável mistério! Ai, Minas de minha alma, alma do meu orgulho, orgulho de minha loucura, acendei uma luz no meu espírito, iluminai os desvãos de meu entendimento e mostrai-me onde se esconde esse vagabundo maravilhoso, esse meu irmão desvairado que no fundo vem a ser a melhor razão existir. Foi ele, esse iluminado de olhos cintilantes e cabelos desgrenhados, que um dia saltou dentro de mim e gritou basta! Num momento em que meu ser civilizado, bem penteado, bem vestido e ponderado dizia sim a uma injustiça. Foi ele quem amou a mulher e a colocou num pedestal e lhe ofereceu uma flor. Foi ele quem sofreu quando jovem a emoção de um desencanto, e chorou quando menino a perda de um brinquedo, debatendo-se na camisa-de-força com que tolhiam o seu protesto. Este ser engasgado, contido, subjugado pela ordem iníqua dos racionais é o verdadeiro fulcro da minha verdadeira natureza, o cerne da minha condição de homem, herói e pobre-diabo, pária, negro, judeu índio, santo, poeta, mendigo e débio-mental. Viramundo! Que um dia há de rebelar-se dentro de mim, enfim liberto, poderoso na sua fragilidade, terrível na pureza de sua loucura.”

— O grande mentecapto - Fernando Sabino

chicobuarquedehollanda:

“A memória é deveras um pandemônio, mas está tudo lá dentro, depois de fuçar um pouco o dono é capaz de encontrar todas as coisas.”

— Chico Buarque, no livro “Leite derramado”. São Paulo: Companhia das Letras, 2009 (via temploculturaldelfos)

escandalos-poeticos:

Agora que sinto amor

Agora que sinto amor
Tenho interesse no que cheira.
Nunca antes me interessou que uma flor tivesse cheiro.
Agora sinto o perfume das flores como se visse uma coisa nova.
Sei bem que elas cheiravam, como sei que existia.
São coisas que se sabem por fora.
Mas agora sei com a respiração da parte de trás da cabeça.
Hoje as flores sabem-me bem num paladar que se cheira.
Hoje às vezes acordo e cheiro antes de ver.

— Alberto Caeiro. 

rebatomblog:

“Vou-lhe explicar uma coisa – O que é triste é morrermos da morte de um outro. Quer dizer: cada qual tem a sua própria morte, única e exclusiva como a vida. Esse é o momento final que nos está destinado. Mas, às vezes, uma outra morte, por engano, cruza connosco. Assim é que é triste morrer.”
Mia Couto em Vinte e Zinco

O amor é agora, mesmo quando somos as palavras esmagadas contra os vidros e a violência lindíssima de dois corpos mirrados de costas voltadas. Amanhã não. Amanhã não celebro em brados cegos o futuro calmo da secura de um rio.


Cláudia R. Sampaio, Ver no escuro

darklingvd:

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The Course of the Sun (Rio de Janeiro) by Alair Gomes, 1967-1974.

Alair Gomes (1921-1992) was a Brazilian photographer who is renowned for his extensive collection of black-and-white photographs that celebrate the beauty and nudity of the male body.

ode vingativa

ex-purgo:

Ela me encontrará pacífico, desvendável 
Vendável, venal e de automóvel.
Ela me encontrará grave, sem mistérios, duro
Sério, claro como o sol sobre o muro.

Ela me encontrará bruto, burguês, imoral, 
Capaz de defendê-la, de ofendê-la e perdoá-la;
Capaz de morrer por ela (ou então de matá-la)
Sem deixar bilhete literário no jornal.

Ela me encontrará sadio, apolítico, antiapocalíptico
Anticristão e, talvez, campeão de xadrez.
Ela me encontrará forte, primitivo, animal 
Como planta, cavalo, como água mineral.

Manoel de Barros

ex-purgo:

“Todas as decepções são secundárias. O único mal irreparável é o desaparecimento físico de alguém a quem amamos.”

Romain Rolland. (via oxigenio-dapalavra)

soliloquio02:

- Não tenho intenções de me casar diz ele com afetação, afastando do pescoço, com os dedos, os colarinhos altos e cortantes. A mulher é um ponto luminoso na cabeça de um homem, mas ela pode destruir a pessoa. Criatura maligna!

- E os homens? Um homem é incapaz de amar. Faz toda sorte de grosserias.

- Trapaceiros à força - Historinha de Ano-Novo.

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