você tem visto a cor azul?
ela tem mudado, não tem?
o significado, a tristeza, alegria, enfim
teve um tempo que eu achava que ela tinha sido feita exatamente pra mim, para o que eu sentia, tudo tão imenso, vasto, tudo parecia sem fim
quando você vê, você ainda pensa com carinho em mim, em tudo que construímos aqui?
eu tenho sonhado com atlantis e isso me leva de volta ao passado, tudo tão quebrado, burro, inesperado. não sou mais aquela menina. eu era só uma menina. tão assustada.
veja só, você não sabe mais da minha vida porque eu não te conto, não sabe mais dos meus medos, dos meus anseios, nem dos escombros.
a vida é outra. sou outra.
mas também sou a mesma, não sou?
tenho que ser em algum canto, tem vestígio em algum centímetro de mim. daqui a pouco fazem 8 anos. oito anos que atlantis vive em mim. um dia alguém me disse que os meus olhos eram escuros, profundos como o oceano. você não sabe dos meus olhos então não sabe disso de mim. podem ser profundos, marcantes, gentis. não quero voltar no tempo, nem desfazer os erros, nem dizer as coisas que eu queria ter dito quando tive oportunidade, nem agarrar as oportunidades. elas se foram, escorrem pelas mãos. quando a gente cresce meio que descobre essa parada de que tudo acontece do jeito que tem que acontecer, pra ser sincera, acho que nos acovardamos nisso, mas crescer também é aceitar que é preciso ser um pouco covarde em nome das responsabilidades, da vida adulta.
mas é a parada da ponte.
fui ponte pra tantos,
tantos foram pra mim
