nem sempre se curam os danos com o passar dos anos. com o passar dos dias mais escassas se tornam as alegrias.
eu estou sozinho e isso me causa sim muito incômodo. todavia, esse incômodo não é o suficiente para que eu tome alguma atitude contra esse vazio. me habituei em ser desinteressante e não ter nada de mais para impressionar, entreter ou manter alguém conectado a mim.
eu sou alguém que quase ninguém se lembra. eu sou uma longa história. eu carrego feridas que não cicatrizam. eu acumulo muitas falhas. eu sou tudo aquilo que nunca consegui contar a ninguém. eu tenho a fragilidade aflorada.
dispersos no espaço
nós mantínhamos uma relação “estável” à distância; sempre conectados por uma chamada de vídeo/voz, vez ou outra. fotos, vídeos, áudios, mensagens e mais mensagens... mas isso foi ficando cada vez mais inútil em relação à nossa necessidade de um pelo outro. nos víamos pouco, devido aos longínquos quilômetros que nos separavam física e mentalmente. sim, o nosso sentimento foi esfriando devido a algo que faltava; a nossa conexão foi ficando repleta de interferências dia após dia, por culpa dos problemas, cujos são oriundos do cotidiano adulto. brigamos, nos reconciliamos... mas a dita falta estava lá; criando um vasto abismo entre nós dois. e esse abismo engoliu a ponte necessária, a qual sustentava aquela linha frágil de ligação entre nós. você tinha suas raízes, seus apegos, assim como eu. ceder tornou-se impensável e colapsamos como uma supernova, mas infelizmente, não originamos nada após tal explosão. apenas dispersamos pelo espaço oco e frio e nada mais resta do que o silencioso vazio. abracei minha solidão e agora estamos fazendo companhia um ao outro; na tentativa de acalentar a mente que, às vezes, retorna às lembranças dos tempos os quais tanto lhe amei. dói, eu sei o quanto dói. contudo, espero que passe e, num futuro próximo, quem sabe, isso não seja nada mais do que uma memória das tantas que bailam na minha mente. uma nostálgica memória que não me abalará mais.
as mãos deixaram de se encaixar, os lábios não se grudam mais, os olhos sequer se cruzam e nem fixam o olhar, os corpos não se encontram e nem se aquecem, estão distantes apesar de ocuparem o mesmo lar... além da distância tão próxima, existe uma enorme lista de tudo o que está faltando. voltamos para o começo, quando não éramos nada. como estranhos começamos e estamos terminando como estranhos de novo. a intimidade findou e a estranheza pairou sobre nós como uma nuvem cinza de tempestade. não há para quem apelar, pois até o amor fez sua bagagem e partiu.
— dissipo
nem sempre se curam os danos com o passar dos anos. com o passar dos dias mais escassas se tornam as alegrias.
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estou numa fase muito difícil da minha vida. não estou pensando direito, vivendo direito. me sinto inútil e substituível. me vejo perdido muitas das vezes... não sei o que pensar, não sei como me expressar, e quando tento, falho da forma mais miserável possível. sou aberto à más interpretações, e por isso sou julgado, e com toda a razão. estou tão deprimido por dentro, mas escondo tudo com piadas, gargalhadas e falsos sorrisos. não sei explicar como começou ou de onde surgiu tantos problemas, no entanto, sei que boa parte é culpa minha. recebo críticas das quais nem posso me defender, porque boa parte é verdade. é um misto de culpa e disforia da atual imagem que passo para as pessoas. eu estou me desconhecendo a cada dia, e isso me preocupa ao ponto do meu peito doer e a mente borbulhar. é um frenesi de tristeza e sensação de sufocamento. são várias coisas complexas trabalhando em um só cérebro. eu não sou alguém ruim, porém também não sou nenhum mocinho. sou um bom homem, só não estou me entendendo no momento. por favor, paciência.
eu só queria não chorar toda vez que algo me faz lembrar de nós dois. você ainda é um tópico sensível, é um assunto bastante delicado que machuca ao ser citado.
eu aceitei que não consigo manter ninguém preso a mim. e aceitar essa condição está fazendo a realidade doer cada vez menos a cada dia. mesmo doendo menos, ainda é um grande incômodo não ser capaz de segurar o amor das pessoas. é tudo tão raso que simplesmente me deixam sem aviso prévio.
— deixaram
quando eu e o amor nos encontramos, ele me apresentou a dor. depois daquele dia descobri que ambos sempre estiveram juntos, e que é impossível ter um sem ter o outro.
hoje sou um pouco mais feliz, porque deixei de me preocupar um pouco menos com muitas coisas. na maioria das vezes, o que falta para a solução de um problema, não é a adição de algo, mas sim, retirar todos os excessos.
as perdas também curam. e nem sempre perder é realmente perder.
uma ferida na pele não chega perto de uma mente dilacerada e um coração partido. os danos mais letais são aqueles que não sangram.
além dos livros, eu leio pessoas.
me sinto incapaz toda vez que sou questionado se tenho uma vida feliz. eu me perco em assuntos que não domino, e também não sei muito sobre felicidade, pois nossos encontros sempre foram um breve sopro.