Tá acontecendo outra vez. Aquela sensação de que esse é o fim de tudo, de que mais nada de novo vai acontecer.
Só queria que minha mente não fosse tão perturbada dessa forma, que meu coração se curasse, que as vozes dentro da minha cabeça fossem mais gentis comigo, que a forma como eu encaro a vida não fosse tão cruel, me odeio tanto por tão pouca coisa que às vezes nem sei o que eu sinto dentro de mim, porque só consigo me odiar cada vez mais.
Eu chorei hoje. Em público, como uma fraca.
Eu tive a chance de fazer isso ontem, no silêncio da minha casa, mas eu não fiz. E por algum motivo que eu realmente não quero precisar pensar para achar, eu consegui o feito inédito de não conseguir segurar.
Sempre achei que a minha maior qualidade era controlar minhas emoções, eu estava na vantagem por isso. Não importava o quão destruída eu estava, sempre consegui colocar um sorriso forçado no rosto e responder às pessoas um bom dia, um boa tarde. Hoje não, talvez foi a falta de pessoas para me distrair. Hoje eu cheguei quieta e subi, queria ficar isolada e nem sabia de fato o real motivo. Encostei em uma estante enferrujada e as primeiras lágrimas começaram a descer.
Como uma fraca.
Eu não queria, mas era impossível de controlar. Então eu andei em círculos tentando expulsar aquelas lágrimas desobedientes. Não funcionou, então eu fiz o que julguei ser o mais sensato no momento. Eu implorei. Implorei pra Deus para que aquelas lágrimas, parassem, não era hora para mostrar a quem quisesse ver o quão fraca eu realmente sou.
Eu implorei, na parte de cima daquele estoque, para que aquele aperto em meu peito deixasse de existir.
E eu comecei a rir. Por que fiquei bem milagrosamente? Não! Porque agora eu teria que lidar com as perguntas e, sinceramente, eu não queria ter que explicar nada do que tinha acabado de acontecer.
Que ingenuidade a minha.
Todo mundo acreditou quando eu disse que não era nada, mesmo que meus olhos estivessem vermelhos e inchados.
Todo mundo sempre acreditou nas minhas mentiras.
Ou talvez ninguém esteja tão interessado assim no porquê de algumas coisas.
Cansada de viver, de repetir os mesmos passos em uma estrada que já não parece levar a lugar nenhum.
As horas passam e com elas, as certezas também. Fico aqui, madrugada adentro, olhando o teto, o vazio e essa dor que insiste em me acompanhar.
Não me reconheço mais na vida que levo, nas escolhas que fiz, nas forças que me escapam.
É como se o mundo continuasse girando… menos dentro de mim.
E a vontade de partir não vem como alívio.
Silenciosa, ela se senta ao meu lado e sussurra:
“Você não precisa mais lutar.”
A vida me ensinou a falar baixo,
a guardar as palavras
como se fossem perigosas demais
para o mundo ouvir.
O som da minha voz
parece ecoar errado
em um espaço que não me entende e que por mais que eu grite, não me ouve.
Eu era um grito e me tornei um completo silêncio.
Hoje sou como um quarto fechado,
uma janela que só abre
quando ninguém está olhando.
As palavras, quando surgem,
são tão frágeis que quebram
antes mesmo de chegar ao ar.
Queria gritar o que eu sinto ou simplesmente dizer baixinho,
mas o medo é uma barreira intransponível.
Medo de que ninguém escute,
ou pior, de que escutem
e não se importem.
Então eu me escondo,
não porque quero,
mas porque é mais seguro
ficar aqui,
onde ninguém pode me alcançar,
onde meus sentimentos
não podem ser despedaçados
por mãos alheias.
O silêncio me acolhe
como um velho amigo e eu não nego
Que gostaria que alguém pudesse decifra-lo.
Mas às vezes me pergunto
se estou mesmo vivendo
ou apenas sobrevivendo
dentro deste casulo
que eu mesma criei.
— Kételin. (via: @unfor-gettabl3)




