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Gregor - A Primeira Profecia (Underland Chronicles, #1)
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Gregor, O Sobreterrestre
“Gregor, A Primeira Profecia” (2003) é o primeiro de uma série de cinco livros escritos por Suzanne Collins, actualmente reconhecida a nível mundial devido a outra personagem: Katniss Everdeen (”Hunger Games, Os Jogos da Fome).
Escrito cinco anos antes da trilogia de Everdeen, Gregor partilha alguns traços da escrita apresentada com a menina do Distrito 12, sendo a linguagem simples e acessível, marcadamente para um público jovem-adulto, a sua característica mais óbvia.
Katniss vs Gregor
Dois aspectos fundamentais, porém, afastam, de forma substancial, ambas as séries.
O primeiro, talvez o mais visível, prende-se com o enredo: Gregor é muito mais inocente, puro, quiçá ficcionado. Entra no campo da ficção cientifica pura, acompanhado de raças não humanas e realidades dispares das conhecidas no mundo contemporâneo. Até certo ponto faz lembrar um “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carrol, em cenário de guerra, ao invés de uma Tea Party de cores berrantes. A Panem, de Katniss Everdeen, pese embora para o mesmo publico alvo, ilude qualquer leitor, não precisando de mais do que apresentar a frieza e crueldade do mundo onde se desenrola toda a narrativa. Em Panem há opressão, tensão entre iguais. Há humanos e… humanos.
O segundo aspecto permitiu a Suzanne Collins escusar-se de responder aos “comos” e aos “porquês” em “Os Jogos da Fome”, mas deixou-a em campo aberto em Gregor. Com Katniss, ao utilizar o recurso à narrativa na primeira pessoa, fez do leitor refém da perspectiva dada pela personagem principal: vê-se, cheira-se, ouve-se de mãos dadas com Everdeen. Ao invés, Gregor é servido na terceira pessoa, mas, ainda assim, alguns “comos” ficam por responder (dica: buracos e correntes de ar).
Puro, agradável, inocente
Gregor é, portanto, uma leitura interessante, pejada de criaturas bem desenvolvidas, com características que as fazem verdadeiramente diferir entre si e montadas num cenário crível. Talvez tenha pontos de narrativa demasiado apressados, que bem explorados levariam a obra para outros patamares. Quiçá seja bastante mais jovem e leve que a trilogia mais conhecida da autora. Mas o objectivo de Collins talvez tenha sido a criação de uma leitura rápida e competente, e nesse ponto a autora acerta com relativa facilidade.
"Gregor percebeu então a insistência dos Subterrestres para que eles tomassem banho. Se os ratos conseguiam detectar a meia dúzia de folhas que ele tinha comido horas antes, deviam ter um sentido de olfacto incrível. Os Subterrestres não tinham sido indelicados quanto quiseram que ele tomasse banho… Estavam a tentar mantê-lo vivo!"
Nota: 3.5/5.0
“Gregor, A Primeira Profecia” (2003) é o primeiro de uma série de cinco livros escritos por Suzanne Collins, actualmente reconhecida a nível mundial devido a outra personagem: Katniss Everdeen (”Hunger Games, Os Jogos da Fome).
Escrito cinco anos antes da trilogia de Everdeen, Gregor partilha alguns traços da escrita apresentada com a menina do Distrito 12, sendo a linguagem simples e acessível, marcadamente para um público jovem-adulto, a sua característica mais óbvia.
Katniss vs Gregor
Dois aspectos fundamentais, porém, afastam, de forma substancial, ambas as séries.
O primeiro, talvez o mais visível, prende-se com o enredo: Gregor é muito mais inocente, puro, quiçá ficcionado. Entra no campo da ficção cientifica pura, acompanhado de raças não humanas e realidades dispares das conhecidas no mundo contemporâneo. Até certo ponto faz lembrar um “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carrol, em cenário de guerra, ao invés de uma Tea Party de cores berrantes. A Panem, de Katniss Everdeen, pese embora para o mesmo publico alvo, ilude qualquer leitor, não precisando de mais do que apresentar a frieza e crueldade do mundo onde se desenrola toda a narrativa. Em Panem há opressão, tensão entre iguais. Há humanos e… humanos.
O segundo aspecto permitiu a Suzanne Collins escusar-se de responder aos “comos” e aos “porquês” em “Os Jogos da Fome”, mas deixou-a em campo aberto em Gregor. Com Katniss, ao utilizar o recurso à narrativa na primeira pessoa, fez do leitor refém da perspectiva dada pela personagem principal: vê-se, cheira-se, ouve-se de mãos dadas com Everdeen. Ao invés, Gregor é servido na terceira pessoa, mas, ainda assim, alguns “comos” ficam por responder (dica: buracos e correntes de ar).
Puro, agradável, inocente
Gregor é, portanto, uma leitura interessante, pejada de criaturas bem desenvolvidas, com características que as fazem verdadeiramente diferir entre si e montadas num cenário crível. Talvez tenha pontos de narrativa demasiado apressados, que bem explorados levariam a obra para outros patamares. Quiçá seja bastante mais jovem e leve que a trilogia mais conhecida da autora. Mas o objectivo de Collins talvez tenha sido a criação de uma leitura rápida e competente, e nesse ponto a autora acerta com relativa facilidade.
"Gregor percebeu então a insistência dos Subterrestres para que eles tomassem banho. Se os ratos conseguiam detectar a meia dúzia de folhas que ele tinha comido horas antes, deviam ter um sentido de olfacto incrível. Os Subterrestres não tinham sido indelicados quanto quiseram que ele tomasse banho… Estavam a tentar mantê-lo vivo!"
Nota: 3.5/5.0
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Gregor - A Primeira Profecia.
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Reading Progress
December 3, 2015
–
Started Reading
December 3, 2015
– Shelved as:
science-fiction
December 3, 2015
– Shelved
December 3, 2015
– Shelved as:
fantasy
December 20, 2015
–
Finished Reading

