Luís's Reviews > Os Sonetos a Orfeu

Os Sonetos a Orfeu by Rainer Maria Rilke
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bookshelves: 2020-readings, e-4, german-literature, poetry, mythology, rainer-maria-rilke

Rilke's invocations to a transcendent world and the underworld recognize that Orpheus' discovery of the poetic image involves the migration between these two worlds. Sonnets to Orpheus are the appropriation of a myth. Like his mythological predecessor Orpheus, Rilke also learned that poetic activity is never complete despite the ability to transgress lyrical singing. For Rilke, Orpheus did not pass permanently into the world of the dead. Still, in recognizing his mortality, he faced his human reality, which helped him create his poetic song that prolonged his existence and notoriety.
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Reading Progress

July 17, 2020 – Shelved as: to-read
July 17, 2020 – Shelved
July 18, 2020 – Started Reading
July 19, 2020 –
page 21
10.29% "V

Não erijais lápide alguma. Deixai a rosa
apenas cada ano em favor dele florir.
Pois que é Orfeu. A metamorfose dele
nisto e naquilo. Não havemos de buscar

outros nomes. De uma vez por todas
é Orfeu, quando algo canta. Vem e vai.
Não será muito, já, se à taça das rosas
um par de dias às vezes sobrevive?
(...)"
July 19, 2020 –
page 37
18.14% "XIII

Maçã cheia, pêra e banana,
uva-espim ... Tudo isto fala
morte e vida na boca ... Pressinto ...
Lede-o no rosto de uma criança

quando as saboreia. Isto vem de longe.
Faz-se-vos devagar sem nome na boca?
Onde costumava haver palavras afluem achados,
de surpresa libertados da polpa do fruto.

Ousai dizer o que chamais maçã.
Esta doçura que só se adensa
para, no saborear-se mansamente erguida,
(...)"
July 19, 2020 –
page 49
24.02% "XIX

Ainda que se mude rápido o mundo
como figuras de nuvens,
todo o perfeito tomba
de volta ao primordial.

Por sobre a mudança e a marcha,
mais longe e mais livremente,
dura ainda o teu pré-canto,
deus com a lira.

Os sofrimentos não são reconhecidos,
o amor não é aprendido,
e o que na morte nos afasta

não é desvelado.
Unicamente a canção por sobre o campo
santifica e celebra."
July 19, 2020 –
page 63
30.88% "XXVI

Tu, porém, divino, tu, até ao fim ainda o que ressoa
ao assaltá-lo o enxame das desdenhadas Ménades,
o grito lhes suplantaste com ordem, tu, o belo,
das destruidoras subiu o teu tanger edificante.

Nenhuma aí havia que a ti cabeça e lira destruísse.
Por mais que lutassem e se enfurecessem; e todas as agudas
pedras que contra o teu coração lançavam
faziam-se em doçura ao encontrar-te e dotadas de ouvido.
(...)"
July 19, 2020 –
page 75
36.76% "V

Músculo-flor, que à anémona
manhãs de prado a pouco e pouco abre,
até que no colo dela a polífona
luz dos sonoros céus se derrame,

na quieta estrela em botão tenso
músculo da infinita concepção,
às vezes tão subjugado de abundância
que o aceno de repouso do ocaso

mal consegue devolver-te as margens
amplamente recolhidas das folhas:
tu, decisão e força de quantos mundos!
(...)"
July 19, 2020 –
page 87
42.65% "Tanta da morte regra serenamente ordenada nasceu
homem sempre mais sujeitante desde que persistes em caçar;
mais, porém, que armadilha e rede, sei-te, pano de vela
que dependurado está no cavernoso Karst.

Em silêncio fizeram-te descer, como se fosses um sinal
para celebrar a paz. Mas aí: torceu-te na borda o moço,
- e das cavernas a noite lançou um punhado de lívidas
pombas, estonteadas, ao encontro da luz...

(...)"
July 20, 2020 –
page 95
46.57% "XV

Ó boca-fonte, tu dadora, tu, boca
que inesgotável fala o um, o puro,
tu, perante o rosto corrente das águas,
máscara de mármore. E ao fundo

a procedência dos aquedutos. De longe,
passando junto a sepulturas, da vertente dos Apeninos
transportam-te o teu dizer, que depois,
pelo negro envelhecer do teu queixo,
(...)"
July 20, 2020 –
page 105
51.47% "XX

Entre as estrelas, que distancia; e, contudo, quão mais distante ainda
o que se aprende nas coisas daqui.
Alguém, por exemplo, uma criança ... e um outro, um segundo alguém -,
ó, quão distanciados, inapreensivelmente.

Destino, ele mede-nos talvez com o palmo do ente
para que nos surja estranho;
pensa, quantos palmos somente da rapariga ao homem
quando ela o evita e o pretende.
(...)"
July 20, 2020 –
page 113
55.39% "XXIV

Ó este prazer, sempre novo, feito de barro frouxo!
Ninguém, quase, prestou auxílio aos que primeiro ousaram.
Cidades, contudo, nasceram junto a golfos ditosos,
água e azeite encheram os cântaros, contudo.

Deuses, planeamo-los somente em arrojados projectos
que o carrancudo destino nos volta a destruir.
Mas eles são os imortais. Vede, é-nos dado
escutar aquele que ao final nos atende.
(...)"
July 20, 2020 –
page 123
60.29% "XXIX

Quieto amigo das muitas distâncias, sente
como a tua respiração ainda multiplica o espaço.
No travejamento dos sombrios campanários
deixa-te repicar. O que de ti se alimenta

faz-se robusta coisa com tal sustento.
Na metamorfose sai e entra, tu.
Qual é a tua mais sofrida experiência?
Se o beber te é amargo, torna-te vinho.
(...)"
July 21, 2020 –
page 133
65.2% "Ó, o novo, amigos, não é isto,
que as máquinas nos suplantem a mão.
Não vos deixeis confundir por transições,
em breve se calará quem o «Novo» enaltecia.

Pois que o todo é infinitamente mais novo
que um cabo e um prédio alto.
Vede, as estrelas são um fogo antigo,
e os novos fogos extinguem-se.

Não acrediteis que as mais distantes transmissões
façam já rodar as rodas do que é futuro.
Pois que Éones falam com Éones."
July 21, 2020 –
page 143
70.1% "[IV]

Pensa: Talvez houvessem um no outro experimentado
quais são os milagres partilháveis -.
Porém, enquanto ele lentamente se enfrentava com os anos avançados,
era ela somente a futura, uma criança vindoura.
(...)"
July 21, 2020 –
page 151
74.02% "[VIII]

Alguma vez esteve um homem tão desperto
como a manhã de hoje?
Não apenas flor e regato,
também o telhado está contente.

Mesmo o beiral, envelhecendo,
dos céus, aclarado, -
se torna sentinte: é terra,
é resposta, é mundo.

Tudo respira e agradece.
Ó vós, agruras da noite,
como naufragais sem rasto.

De bandos de luz
era feita a vossa obscuridade
que se contradiz, puramente."
July 21, 2020 –
page 157
76.96% "[II]

Olha para cima. Hoje o espaço da noite está sereno."
July 22, 2020 –
page 163
79.9% "[V]

Que espanto este que o deus nos ofertou,
um grande espanto, em ouro.
Quer se o afunde na terra
ou se o rebole para o mar,

permanece o espanto do primeiro dia,
o grande espanto em ouro,
por mais que em terríveis sepulturas haja jazido
nenhum verme alguma vez o quis"
July 22, 2020 –
page 175
85.78% "[XI]

Cuida-te melhor
cuida-te caminhante
com o próprio caminho que também vai"
July 22, 2020 –
page 183
89.71% "[II]

A minha tímida sombra da lua falaria de bom grado
com a minha sombra do sol, lá de longe,
na língua dos loucos;
a meio, eu, uma esfinge iluminada,
fundando silêncio, à direita e à esquerda
a ambas dei nascimento."
July 22, 2020 – Shelved as: 2020-readings
July 22, 2020 – Finished Reading
December 24, 2021 – Shelved as: e-4
May 30, 2024 – Shelved as: german-literature
May 30, 2024 – Shelved as: poetry
May 30, 2024 – Shelved as: mythology
February 7, 2025 – Shelved as: rainer-maria-rilke

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