eu sei, eu faço perguntas que outras pessoas já fizeram, eu sinto o que outras pessoas já sentiram. tenho a sensação de que meu mundo vai acabar todas as noites (todo início de dia, todo fim de tarde, todas as madrugadas que o sono foge e o meu peito sufoca). e eu sei, não sou única nisso, não sou exclusiva em nada disso. eu não tô sozinha. não fui deixada neste mundo para me sentir a única parte deslocada. eu sei de tudo isso, mas eu sinto tudo como se eu não soubesse. eu não controlo isso, eu não sei parar. eu. não. sei.
eu tenho escrito muito. é que as minhas mãos não cansam de fazer, silenciosamente, tanto barulho.
essas linhas duplas que se formam sempre que eu ajo, como dois efeitos borboletas saindo de dentro do que escolho me fazem pensar em destino, embora eu não acredite nele. analiso que essas consequências sempre negativas de minhas ações é o meu karma, é o meu destino. mesmo que eu tenha boas intenções, o que o universo me devolve é esse constante aperto no meio e olho prestes a deixar a lágrima cair. eu não sou má, eu sei que não sou má (exceto pra mim mesmo), porém as linhas que saem de minhas ações me fazem pensar o contrário, como se fosse possível sempre vir a acontecer algo positivo - aquilo que almejo, que planejo, que parece prestes a se tornar real -, mas o que acontece é o seu contrário, aquilo que não vejo, aquilo que sequer tenho controle. como se eu merecesse isso - não somente o aperto no peito e o choro que vem todas as noites, mas também toda a impotência e insuficiência que eu sinto, que eu sou -, como se meu destino fosse exatamente isso, essa linha que sai de minhas ações e que me leva pro mesmo buraco de sempre, me permitindo sentir a mesma dor que já conheço tão bem. é por isso que teimo em não acreditar em destino, porque acho injusto que tudo isso seja pré-destinado pra mim, como se alguém já tivesse imposto o que mereço - qual o controle que tenho sobre qualquer coisa se for assim? - e o que terei. e jamais é bom, jamais é realmente bom. vem camuflado de manso, quando é mais uma tempestade que não acho que mereço, mas é o que existe pra mim. infelizmente, é o que existe pra mim.
eu tô chorando porque as minhas insuficiências estão sangrando.
as partes que faltam vivem em hemorragia.