O meu primeiro contacto com o escritor inglês Jeffrey Archer foi com a saga dos Clifton, da qual acabei por ler apenas os dois primeiros volumes (conta com um total de sete). Fiquei com a ideia de voltar a tentar outras obras de sua autoria e a oportunidade perfeita surgiu agora, com a publicação de Contador de Histórias, que a Bertrand Editora teve a simpatia de me enviar – também no âmbito da visita do autor a Portugal no início deste mês.
Contador de Histórias reúne em si 13 histórias distintas, sendo oito delas inspiradas em acontecimentos reais. O chavão “a realidade ultrapassa a ficção” aplica-se aqui na perfeição, quando lemos sobre todos os habitantes de uma pequena cidade italiana que querem assumir a culpa do assassinato do respetivo Presidente da Câmara ou que um homem enriqueceu a explorar um parque de estacionamento que não lhe pertencia, durante anos a fio.
Há vários leitores que afirmam não gostar particularmente de contos. Não me incluo nesse lote, e por isso tenho vindo a descobrir, ao longo dos anos, vários autores sublimes nessa arte que é contar uma história marcante em relativamente poucas palavras. Vem-me de repente à memória o fantástico Richard Yates (Onze Anos de Solidão é um portento), as micro-narrativas de Juan José Millás (Os Objetos Chamam-nos) ou de Bruce Holland Rogers (Pequenos Mistérios), e a recém-descoberta (por mim) Maria Judite de Carvalho, cujo primeiro volume das suas Obras Completas me arrebatou por completo.
É seguro afirmar que gosto de contos e, pessoalmente, tendo a apreciar mais este formato narrativo quando a sua sublimidade se revela a nível de enredo e de escrita, tendendo o meu gosto pessoal para histórias com cariz menos convencional a nível de estrutura e que abordem temas relacionados com a (por vezes deprimente) condição humana. Tudo isto para explicar o motivo pelo qual estas histórias não me conseguiram arrebatar, ainda que lhes reconheça uma caráter curioso e divertido, conseguindo o autor muitas vezes surpreender o leitor com as reviravoltas finais. É um livro que entretém e que se lê de forma bastante descontraída, conseguindo cumprir o seu objetivo.
Talvez seja um pouco presunçoso da minha parte afirmar isto, mas vou arriscar na mesma: acho que Contador de Histórias tem bastante potencial para agradar aos leitores que, por norma, afirmam não gostar muito de contos. Será que estou certa? Fica ainda a nota final, transmitida pelo autor no Meet & Greet com alguns dos seus leitores, de que em 2020 irá sair em inglês uma edição especial ilustrada dos melhores contos do autor, escolhidos pelos seus leitores.