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Elena Knows
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#outubrohispanoamericano
I do want to live, you know? In spite of this body, in spite of my dead daughter, Elena says, crying, I still choose to live, is that arrogance? Not long ago I was told I was arrogant. Don’t keep the names other people give you, Elena.
Se não tivesse dado uma segunda oportunidade a Claudia Piñeiro, depois de ter largado “Uma Pequena Sorte” a meio, teria perdido um excelente livro.
Quando Rita aparece enforcada no campanário da igreja, Elena sabe que não pode ser sido suicídio, porque estava a chover e a sua filha nunca se aproximava da igreja nessas alturas, com receio dos relâmpagos. A Polícia, porém, dá o caso por encerrado, e é então que Elena decide investigar por conta própria, se não fosse um pormenor: sofre de doença de Parkinson e as pernas só lhe obedecem por um curto espaço de tempo, enquanto os medicamentos surtem efeito.
Elena knows she hasn’t been the one in charge of some parts of her body for a while now, her feet, for example. He’s in charge. Or she. And she wonders if Parkinson’s is masculine or feminine, because even though the name sounds masculine it’s still an illness, and an illness is something feminine. Just like a misfortune. Or a curse. And so she thinks she should address it as Herself, because when she thinks about it, she thinks ‘fucking whore illness.’
Começa assim este dia de Elena, dividido em Manhã, Meio-Dia e Tarde, os três capítulos de “Elena Knows”, desde que toma o segundo comprimido do dia, que lhe permitirá arrastar os pés até ao comboio, apanhar um táxi e chegar a casa de Isabel, alguém que não vê há 20 anos mas que acredita que vai ajudá-la a investigar a morte da filha, porque, a seu ver, ela lhes deve um favor.
É penoso acompanhar a protagonista nesta sua missão que parece decorrer a passo de caracol, ler o que sente uma mente intacta aprisionada num corpo incapaz de desempenhar os movimentos mais simples e as tarefas mais básicas, e compreender a revolta não só contra o sistema de saúde e as seguradoras mas também contra a indignidade da sua situação.
Esta obra, no entanto, não é só sobre uma doença degenerativa e incapacitante, já que aborda outras questões como o papel dos cuidadores e o aborto, uma causa por que Claudia Piñeiro se debateu até muito recentemente, quando este foi finalmente legalizado na Argentina. É aqui que a autora mete corajosamente o dedo na ferida: apesar das convenções sociais e das condicionantes culturais, nem todas as mulheres se consideram capazes de ser mães quando engravidam e nem todas as filhas têm capacidade de assistir à degradação física e mental das suas mães. O que acontece a uma pessoa quando é obrigada a ter um filho que não deseja? O que acontece a uma pessoa quando se vê forçada a ser cuidadora de um progenitor cujo estado se agrava todos os dias? Elena sabe.
What’s left of you when your arm can’t even put on a jacket and your leg can’t even take a step and your neck can’t straighten up enough to let you show your face to the world, what’s left? Are you your brain, which keeps sending out orders that won’t be followed? Or are you the thought itself, something that can’t be seen or touched beyond that furrowed organ guarded inside the cranium like a trove?
I do want to live, you know? In spite of this body, in spite of my dead daughter, Elena says, crying, I still choose to live, is that arrogance? Not long ago I was told I was arrogant. Don’t keep the names other people give you, Elena.
Se não tivesse dado uma segunda oportunidade a Claudia Piñeiro, depois de ter largado “Uma Pequena Sorte” a meio, teria perdido um excelente livro.
Quando Rita aparece enforcada no campanário da igreja, Elena sabe que não pode ser sido suicídio, porque estava a chover e a sua filha nunca se aproximava da igreja nessas alturas, com receio dos relâmpagos. A Polícia, porém, dá o caso por encerrado, e é então que Elena decide investigar por conta própria, se não fosse um pormenor: sofre de doença de Parkinson e as pernas só lhe obedecem por um curto espaço de tempo, enquanto os medicamentos surtem efeito.
Elena knows she hasn’t been the one in charge of some parts of her body for a while now, her feet, for example. He’s in charge. Or she. And she wonders if Parkinson’s is masculine or feminine, because even though the name sounds masculine it’s still an illness, and an illness is something feminine. Just like a misfortune. Or a curse. And so she thinks she should address it as Herself, because when she thinks about it, she thinks ‘fucking whore illness.’
Começa assim este dia de Elena, dividido em Manhã, Meio-Dia e Tarde, os três capítulos de “Elena Knows”, desde que toma o segundo comprimido do dia, que lhe permitirá arrastar os pés até ao comboio, apanhar um táxi e chegar a casa de Isabel, alguém que não vê há 20 anos mas que acredita que vai ajudá-la a investigar a morte da filha, porque, a seu ver, ela lhes deve um favor.
É penoso acompanhar a protagonista nesta sua missão que parece decorrer a passo de caracol, ler o que sente uma mente intacta aprisionada num corpo incapaz de desempenhar os movimentos mais simples e as tarefas mais básicas, e compreender a revolta não só contra o sistema de saúde e as seguradoras mas também contra a indignidade da sua situação.
Esta obra, no entanto, não é só sobre uma doença degenerativa e incapacitante, já que aborda outras questões como o papel dos cuidadores e o aborto, uma causa por que Claudia Piñeiro se debateu até muito recentemente, quando este foi finalmente legalizado na Argentina. É aqui que a autora mete corajosamente o dedo na ferida: apesar das convenções sociais e das condicionantes culturais, nem todas as mulheres se consideram capazes de ser mães quando engravidam e nem todas as filhas têm capacidade de assistir à degradação física e mental das suas mães. O que acontece a uma pessoa quando é obrigada a ter um filho que não deseja? O que acontece a uma pessoa quando se vê forçada a ser cuidadora de um progenitor cujo estado se agrava todos os dias? Elena sabe.
What’s left of you when your arm can’t even put on a jacket and your leg can’t even take a step and your neck can’t straighten up enough to let you show your face to the world, what’s left? Are you your brain, which keeps sending out orders that won’t be followed? Or are you the thought itself, something that can’t be seen or touched beyond that furrowed organ guarded inside the cranium like a trove?
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Elena Knows.
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Reading Progress
October 15, 2021
–
Started Reading
October 15, 2021
– Shelved
October 15, 2021
–
9.09%
"And she wonders if Parkinson’s is masculine or feminine, because even though the name sounds masculine it’s still an illness, and an illness is something feminine. Just like a misfortune. Or a curse. And so she thinks she should address it as Herself, because when she thinks about it, she thinks ‘fucking whore illness.’"
page
13
October 16, 2021
–
20.98%
"But all that, Elena knows, will be after she’s managed to walk those five blocks she still hasn’t walked. She’s just finished the first one. Someone says hello. Her stiff neck forces her to walk looking down at the ground so she doesn’t see who it is. Sternocleidomastoid is the name of the muscle that restricts her movement."
page
30
October 17, 2021
–
35.66%
"She cried almost unconsciously as she spoke. Elena had never been one for weeping but ever since her body was taken over by Herself, that fucking whore illness, she hasn’t even been in control of her tears. She doesn’t want to cry but she can’t help it, the tears stream from her tear ducts and roll down her rigid cheeks as if irrigating a barren field."
page
51
October 19, 2021
–
41.96%
"Has Rita’s death erased everything she was? Her illness didn’t erase it. Being a mother, Elena knows, isn’t changed by any illness even if it keeps you from being able to put on a jacket, or freezes your feet so that you can’t move, or forces you to live with your head down, but could Rita’s death have taken not only her daughter’s body but also the word that names what she, Elena, is?"
page
60
October 28, 2021
–
62.94%
"Yes, it says two boxes but it doesn’t specify continuous treatment. There’s no cure for Parkinson’s, how could it not be continuous?(...) I’m just doing my job. Obedience is no excuse, if your superior gives you an idiotic order and you obey, it’s because you’re an idiot too, and I regret to inform you that idiocy also requires continuous treatment even if no one will write it out for you in those exact words."
page
90
October 28, 2021
–
80.42%
"She wasn’t willing to add any more chores to the unending list of daily challenges: walking, eating, going to the bathroom, lying down, standing up, sitting in a chair, getting up from a chair, taking a pill that won’t go down her throat because her head can’t tip back, drinking from a straw, breathing. No, she definitely wasn’t going to put calendula cream on her heels."
page
115
October 30, 2021
–
100%
"Tell me!, Rita repeated, and she glared at him until Benegas complied.Rita, I think right now, in front of your mother, we shouldn’t… but he didn’t get the rest of the sentence out before Rita interrupted him. More than being forced to stare at the ground, condemned to spend the rest of her life with her head down like she’s ashamed?More than being an unpleasant reminder to people who want to avoid seeing her?More?"
page
155
October 31, 2021
–
Finished Reading
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message 1:
by
susana
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-
added it
Oct 31, 2021 12:34PM
Ainda estou traumatizada com uma “Pequena Sorte”. Não sei se consigo ler mais alguma coisa de Cláudia Piñeiro, Paula…
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susana wrote: "Ainda estou traumatizada com uma “Pequena Sorte”. Não sei se consigo ler mais alguma coisa de Cláudia Piñeiro, Paula…"Compreendo-te, Susana, este também é pesado! Eu não gostei desse livro, senti-me manipulada, mas é verdade que a Piñeiro explora bem as relações complicadas entre pais e filhos.
David wrote: "Powerful story Paula. Don’t know the author but should. Thanks"Very impactful, David. You really should, as you seem to enjoy Latin American authors even more than me! :-)
Definitivamente, não é um livro para mim. Certamente, não nesta fase. Mas, UAU, Paula! Poderoso! Grande murro no estômago.
Katya wrote: "Definitivamente, não é um livro para mim. Certamente, não nesta fase. Mas, UAU, Paula! Poderoso! Grande murro no estômago."Eu gosto de coisas pesadas, mas sobre estes temas tem de ser com parcimónia, Katya. Superando isso, vale muito a pena.
Aiii, fico mesmo feliz que tenhas dado uma nova oportunidade à autora e que tenha sido uma leitura de 5 estrelas!!!Não é preciso dizer que TAMBÉM QUERO!
Susana wrote: "As citações são fantásticas, mas imagino que seja algo (ou bastante) depressivo..."Bastante, Susana, mas no momento certo, é uma leitura muito compensadora.
Haytham wrote: "Já cedi e já o pus para ler em breve. Parece ser excelente!"Óptimo, Haytham! Espero que gostes.
Ana, penseo que era o livro mais recente dela, mas afinal é anterior a Pequena Sorte e duvido que o traduzam para PT. Mas tu com o teu espanholito, arranja-lo no original, de certeza.
Paula wrote: "Ana, penseo que era o livro mais recente dela, mas afinal é anterior a Pequena Sorte e duvido que o traduzam para PT. Mas tu com o teu espanholito, arranja-lo no original, de certeza."OK, obrigada, assim já sei que tenho recorrer ao espanholito!




