você parece inteira mas eu sei que cada um que se foi levou um pedacinho de você
não se desculpe por ter sido você mesmo. não se desculpe por ter exagerado. não se desculpe por ter demonstrado demais. não se desculpe por motivos que não há necessidade. se uma pessoa não te olhou da forma como você merece, coloca nessa sua cabeça de vento que você não errou. só não era o momento certo. ou a pessoa certa.
a gente fecha os olhos pra tanta coisa, até pra si mesmo
já faz um ano desde que tudo chegou ao fim. ainda consigo lembrar de cada palavra que saiu da sua boca e da intensidade que elas chegaram até meus tímpanos, tão afiadas feito uma agulha, quase insuportável de ouvi-las: “precisamos de um tempo” logo encarei o relógio: 1 hora? 1 dia? 1 semana? talvez 1 mês? ingênuo, um tanto ingênuo eu diria. não queria acreditar no que tinha acabado de chegar aos meus ouvidos. quando a ficha caiu, você já tinha ido. tão rápido, tão depressa, que nem ao menos se despediu. doeu tanto. porque finalmente entendi o que tinha acontecido. eu sabia que aquela era uma maneira sútil e gentil de colocar um ponto final na nossa história. eu sabia. já tinha visto nos filmes antes. já aconteceu isso na novela das sete. eu sabia o que vinha depois também. e não pude fazer nada porque partir era sua vontade. se meu amor não foi suficiente pra você ficar o que te impediria de ir? demorei pra superar. demorei muito. hoje, faz doze meses que você pediu um tempo. confesso que ainda te esperei por alguns dias que foram suficientes para entender a sua resposta. então nunca mais olhei o calendário.
pedro pinheiro.



